sexta-feira, 10 de abril de 2020

Os percalços do destino


  • A gente na vida passa por algumas dores. Dores da perda, dor de decepção, dores de amor, mas com certeza uma das piores é a dor e a frustração do teu corpo não funcionar como deveria.
  • Ao longo da vida encontramos estereótipos de todo jeito, em todas as profissões, e notadamente existem aqueles que se sobressaem.

Estava eu naquele leito de hospital, escutando gemidos e lamúrias numa sala de recuperação, confesso que fiz coro chorando de madrugada, mas enfim, elas estão lá, as enfermeiras e as técnicas de enfermagem. 
Nesta hora me disseram que iam me dar morfina e eu gelei, credo! É sério? Depois, se dizem que paredes tem ouvidos, imagina cortinas, vi que a droga rolava solta por ali e resolvi desfrutar do alívio oferecido (nunca havia visto tantas mandalas e eram tão coloridas).

Mas voltando às enfermeiras e essas profissões paralelas, não pude deixar de meditar acerca delas. Tem aquela que com um olhar te acarinha, conversa um pouquinho e te dá um incentivo. Vem a troca de turno e te aparece uma sisuda, vem e vai embora rápido, mas resolve teus problemas também. Aí do nada troca o turno de novo e te aparece um anjo, o suprassumo de um ser humano cheio de empatia, aquela que antecipa o que tu vais sentir ou precisar e está lá pronta, com uma palavra de ânimo e um sorriso no rosto, solícita, feliz e totalmente abnegada. Nestes momentos que temos consciência de nossa vulnerabilidade e que somos total e peremptoriamente dependentes da ajuda de alguém até para virar na cama e que até as necessidades fisiológicas mais banais da natureza humana são celebradas com alegria e gozo a gente vê o mundo com outros olhos. Impossível não lembrar dos que vivem dias, meses e anos a fio convivendo com hospitais e essas rotinas. Que triste deve ser. Quem tem saúde é rico.

Eu estou bem, por estes acasos do destino, tive um mioma que teimou em crescer e cresceu tão grande e forte que houve a necessidade de extraí-lo. O danado levou junto meu útero, mas ele gestou três filhos que amo mais que tudo e já havia cumprido sua função na vida, então que fosse embora mesmo. Se existe um onipotente lá em cima, obrigada, mas não posso deixar de agradecer à equipe médica e ao meu esposo Manuel que assumiu a administração da casa e me deu apoio. A vida é muito mais bonita sem dor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

...

Fui bebê sonhada, desejada Fui criança amada, quase mimada Fui adolescente, briguei Fui mulher, entendi Fui mãe, compreendi Despedaçada... p...