- A gente na vida passa por algumas dores. Dores da perda, dor de decepção, dores de amor, mas com certeza uma das piores é a dor e a frustração do teu corpo não funcionar como deveria.
- Ao longo da vida encontramos estereótipos de todo jeito, em todas as profissões, e notadamente existem aqueles que se sobressaem.
Estava eu naquele leito de
hospital, escutando gemidos e lamúrias numa sala de recuperação, confesso que
fiz coro chorando de madrugada, mas enfim, elas estão lá, as enfermeiras e as
técnicas de enfermagem.
Nesta hora me disseram que iam me dar morfina e eu
gelei, credo! É sério? Depois, se dizem que paredes tem ouvidos, imagina
cortinas, vi que a droga rolava solta por ali e resolvi desfrutar do alívio
oferecido (nunca havia visto tantas mandalas e eram tão coloridas).
Mas voltando às enfermeiras e
essas profissões paralelas, não pude deixar de meditar acerca delas. Tem
aquela que com um olhar te acarinha, conversa um pouquinho e te dá um
incentivo. Vem a troca de turno e te aparece uma sisuda, vem e vai embora rápido,
mas resolve teus problemas também. Aí do nada troca o turno de novo e te
aparece um anjo, o suprassumo de um ser humano cheio de empatia, aquela que
antecipa o que tu vais sentir ou precisar e está lá pronta, com uma palavra de
ânimo e um sorriso no rosto, solícita, feliz e totalmente abnegada. Nestes
momentos que temos consciência de nossa vulnerabilidade e que somos total e
peremptoriamente dependentes da ajuda de alguém até para virar na cama e que
até as necessidades fisiológicas mais banais da natureza humana são celebradas
com alegria e gozo a gente vê o mundo com outros olhos. Impossível não lembrar
dos que vivem dias, meses e anos a fio convivendo com hospitais e essas
rotinas. Que triste deve ser. Quem tem saúde é rico.
Eu estou bem, por estes acasos
do destino, tive um mioma que teimou em crescer e cresceu tão grande e forte que
houve a necessidade de extraí-lo. O danado levou junto meu útero, mas ele gestou
três filhos que amo mais que tudo e já havia cumprido sua função na vida, então
que fosse embora mesmo. Se existe um onipotente lá em cima, obrigada, mas não
posso deixar de agradecer à equipe médica e ao meu esposo Manuel que assumiu a
administração da casa e me deu apoio. A vida é muito mais bonita sem dor.
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