Sete
amigas. Fomos buscá-las no colégio, depois da aula, antes do almoço. Dentre
elas nossa filha Lígia. Ávidas por alegria, risadas e tititis como adolescentes
que são.
Transmitiam
todo tempo e a Anita(6a), que estava no carro comigo, logo se enturmou. Manuel foi
com outro grupo não menos animado, mas a aniversariante foi comigo. Só ela
sabia o que iria acontecer, para as outras era surpresa. Conheço a Lígia, ela
precisava saber antes e não houve menos brilho por este detalhe.
Primeira
parada, restaurante Dado Bier, Porto Alegre. Ali já foi uma festa e a menina
que no carro confidenciou que não conhecia nenhum shopping de Porto Alegre, que
adorava comer no SubWay embora só tivesse ido lá uma vez, se escondeu atrás de
outra: - Meu Deus, me belisca, eu não acredito, disse olhando o entorno
maravilhada. Gosto disso do colégio dos meus filhos, essa diversidade é
educativa, prepara para a vida.
Sentaram
numa mesa comprida e ficamos, Manuel, Anita e eu numa mesa próxima. A festa era
delas, conversaram, riram, experimentaram e curtiram. Sim, cantaram parabéns
com o bolinho em formato de dado, velinha de fogos e garçons cantando
animadamente. Tudo que tinham direito. A aniversariante é por vezes contida e
foi se soltando aos poucos, esta festa toda é para mim! Eu escolho, eu posso! Deu para perceber a mudança!
Passearam
no shopping, fizeram sessão de fotos no banheiro (fiquei sabendo depois) e nos
encontramos mais tarde. Ao entrar no carro expliquei: “vamos parar num posto de
gasolina, o Manuel precisa abastecer o carro” e assim saímos do shopping. Vira
esquina, ali e ali e alguém comenta:
- Gente, olha! Uma limousine!
Vamos perguntar se podemos tirar fotos?, aproveito a deixa. Rapidamente estacionamos os carros e descemos. O chofer, vestido a rigor, ajeitava alguns detalhes e elas entraram, maravilhadas. Me aproximei da porta
louca para contar! Em seguida disseram: “Vamos descer; o tiozinho pode ficar
chateado, já tiramos fotos”, pareciam desconfortáveis como se não devessem
estar ali.
Parece que ele está perdido, fiquem aí mais um pouquinho, respondi.
E de certa forma ele estava, não sabia como chegar na nossa casa! Configura
GPS, anota aqui e ali, combina trajeto e hora e intermináveis dez minutos se passam.
Chegou a hora de
contar, pensei com excitação. Coloquei o rosto pra dentro da limousine, esperei que todas me olhassem e falei bem
claro:
- Bom passeio.
Elas se entre olharam sem entender nada e as mais rápidas
explicaram para as outras até que todas gritaram de alegria! Ainda escutei um
“eu acho que vou chorar”.
Gurias, sair pelo teto solar só quando o chofer
disser que pode, água, suco e refrigerante a vontade, caixa de bombons e
totozinhos. Ah! Detalhe! Tem uma champanhe aí que é sem álcool, podem tomar.
Esta última instrução foi dada na última hora, nova gritaria. Duas horas de
passeio. Viemos para casa com os carros em silencio, minha caçula dormiu. Em casa
ficamos esperando por elas, até que ao longe escutamos um gritedo e sorri, só podem ser
elas! E eram.
Chegaram roucas, sem voz. “Foi legal tomar champanhe mas é ruim". Comi demais, disse outra. “Abanamos pra todo mundo!” Mami, o tiozinho é muito
legal, eu só não abraço muito ele porque me dá vergonha! Ele nos avisava toda
hora: gurias, quando eu parar nesta sinaleira vocês podem levantar. Ao invés de
fazer o passeio por pontos turísticos de Porto Alegre vieram pela Assis Brasil,
Cachoeirinha e Gravataí, contaram que chamavam as pessoas, abanavam, gritavam
oi e se divertiram vendo alguns abanarem entusiasticamente, outros se
acotovelarem puxando celulares para tirar fotos e ainda outros olharem com desdém, mas elas não estavam nem aí com isso.
Aqui em casa, bem mais tarde, criaram no facebook um grupo para compartilhar
fotos: As famosas de Gravataí!
Claro
que tiraram mais fotos antes de liberar a limousine. Depois ainda passearam
pelo condomínio, jogaram vôlei e dançaram com o Just Dance até cansar. Eu
também fui convocada e dancei.
Da
festa ainda rolou pizza, docinhos, jogaram Imagem e ação e conversaram. Era
perto das 23h quando vieram buscar a última menina. Alguns pais aceitaram o
convite para entrar e ainda pudemos conversar e compartilhar uma cervejinha,
nós também nos divertimos! “Foi o melhor dia da minha vida”, “a minha mãe vai
ter que me aguentar toda a noite contando”, “foi inesquecível” e até um: “tia,
eu vou voltar”... assim cada uma foi se despedindo. Gurias bacanas, legais.
A
Lígia ainda hoje, dois dias depois, se emociona quando diz que somos os
melhores pais do mundo. Eu queria voltar e viver de novo aquele dia, diz.
E
assim foi a celebração dos Quinze anos da nossa filha Lígia. Muito bem
festejados, pois o mais importante aconteceu: Ela se divertiu muito. Não preciso dizer que também me senti realizada.